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Revolução
Categoria: Século 21
27/02/2008

A reunião do Grupo do Rio, na República Dominicana, deu resultados positivos e pode ajudar a evitar a ampliação da crise desencadeada pela violação, na semana passada, das fronteiras equatorianas por tropas colombianas na operação que resultou no massacre de um grupo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O melhor relato que vi sobre o assunto é, naturalmente, de alguém que esteve lá. De Samy Adghirni, na Folha de S.Paulo de hoje: Após nove horas de um debate cheio de impropérios no auditório da Chancelaria dominicana, prédio colonial de frente para o mar do Caribe, o presidente e anfitrião Leonel Fernández pediu aos participantes que deixassem de lado suas divergências e apertassem as mãos em nome da paz. Após alguns segundos de hesitação, [o colombiano Álvaro] Uribe -que havia passado o dia justificando o ataque contra o acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em território equatoriano, há uma semana, que desencadeou a crise- levantou-se e caminhou em direção a [Rafael] Correa [, do Equador]. Sob aplausos, eles apertaram as mãos. Em seguida, Uribe atravessou novamente o auditório para fazer o mesmo com o presidente venezuelano, Hugo Chávez -que no domingo passado anunciara o envio de tropas fronteira com a Colômbia, em represália ao ataque no Equador. Os aplausos continuaram. Ao sair da reunião, os participantes estavam eufóricos com o fim da crise, oficializado na declaração final do encontro, que formalizou o pedido de desculpas da Colômbia ao Equador e selou o compromisso por parte de Bogotá de que o fato não voltará a acontecer. (...) Depois do embate, os outros participantes se revezaram no microfone com discursos apaziguadores, mas claramente favoráveis ao Equador e a Correa, que foi aplaudido, enquanto as palavras de Uribe foram recebidas com silêncio. O mexicano Felipe Calderón evocou o princípio da inviolabilidade territorial; a presidente argentina, Cristina Kirchner, disse que "a ilegalidade se combate com mais legalidade". O nicaragüense Daniel Ortega acusou Uribe de praticar terrorismo de Estado. Mas, no fim da cúpula, Ortega, que anteontem anunciou o rompimento de relações com a Colômbia, disse que irá retomá-las. O Equador ainda não anunciou formalmente o reatamento -Quito rompeu relações com Bogotá na última segunda. No jornalismo, assim como no futebol, o importante está nos detalhes. Se há um presidente latino-americano mais alinhado com os Estados Unidos do que Uribe, é o mexicano Calderón. Que, informa a reportagem, condenou Uribe. O que mostra o grau de isolamento do colombiano, de resto bem descrito (clique aqui para ler). Foi o que escrevi aqui, a quente, no primeiro post sobre o tema, É preciso isolar Uribe: O fato é que o governo Uribe tornou-se uma ameaça estabilidade do continente. Sua estratégia de "solução militar" para a questão da guerrilha terá como resultado prático a internacionalização do conflito. Talvez Uribe não esteja mesmo em condições de recuar, dado que o futuro de seu poder (como comentei em janeiro) repousa no prosseguimento da guerra civil. Um efeito colateral da estratégia uribista é a reorganização dos esquadrões paramilitares de extrema-direita. Num ambiente de paz, o caminho estaria aberto para a esquerda nacional colombiana chegar ao governo, como já aconteceu no resto do continente, com exceção do Peru. Sem guerra civil, não haverá condições políticas de Uribe pleitear um terceiro mandato -para o que precisa reformar a Constituição. A América do Sul deve, urgentemente, estabelecer um cordão sanitário em torno da Colômbia. Unir-se diante da ameaça de que a ambição política de Álvaro Uribe arraste o continente guerra. O que decidiu o Grupo do Rio? Que, antes de tudo e acima de todas as circunstâncias, as fronteiras nacionais são invioláveis em tempo de paz. Era o que já havia dito a Organização dos Estados Americanos (OEA). O resto é o resto.

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Testemunha
Categoria: Novidades Tecnológicas
27/02/2008

Bogotá (Reuters) - Um diplomata dos EUA disse hoje que grupos paramilitares não podem ser ignorados nos esforços para alcançar um acordo negociado entre o governo colombiano e as guerrilhas. Philip Chicola, chefe de assuntos andinos do Departamento de Estado dos EUA, disse que os temidos esquadrões da morte deveriam ter reconhecimento político, ou ainda participar de negociações entre o governo da Colômbia e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias)."Em algum ponto, os paramilitares terão que participar do processo", disse Chicola em uma entrevista para a Radionet, durante sua visita de dois dias Colômbia. "O governo e a sociedade colombiana vão ter que decidir como eles vão lidar com os paramilitares", acrescentou. Clique para ler a reportagem completa. Pela data (outubro de 2000), você já percebeu que a notícia é do final do governo de Bill Clinton. Quando a política americana para a Colômbia orientava-se pela busca de uma saída negociada que pusesse fim guerra civil. Ou seja, antes do 11 de setembro e do acirramento das tensões entre a Casa Branca e Hugo Chávez, a diplomacia dos Estados Unidos considerava uma alternativa plausível a negociação com grupos que constavam do index terrorista, se o objetivo fosse a paz. Talvez isso ajude a compreender melhor por que os papagaios nativos (Nós e a transição cubana) nunca exigiram dos governos brasileiros anteriores a Luiz Inácio Lula da Silva que declarassem as Farc como "terroristas". Desde o fim do regime militar, passaram pelo Palácio do Planalto José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Nenhum deles adotou posição radical contra as Farc. Já registrei aqui no blog, em De volta ao americanismo, um trecho de reportagem da revista Veja em março de 2003 a respeito do assunto: O governo de Fernando Henrique Cardoso também manteve distância do conflito colombiano. Vez por outra, deixava vazar críticas ao Plano Colômbia, como é chamada a estratégia de combate ao narcotráfico financiada pelos Estados Unidos. Os mesmos que hoje incham a jugular para advertir sobre o apocalipse que resultaria da leniência com o "terror comunista" agiram, quando no governo, de maneira cuidadosa em relação guerra civil do vizinho. O que teria mudado no cenário para justificar essa guinada? O caráter e os objetivos das Farc não mudaram. Se são "terroristas" hoje, já eram antes. Ora, o que mudou desde 2000 foram a linha política dominante no governo colombiano e a estratégia dos Estados Unidos. Mas a política externa brasileira e a nossa posição diante de conflitos em outros países não pode flutuar ao sabor dos humores em Washington ou nos aliados dos americanos. Por mais que alguns se incomodem com isto, nós somos um país soberano (leia À espera de uma orientação da Casa Branca). E um detalhe chamou minha atenção. O Philip Chicola ctado na reportagem da Folha Online de outubro de 2000 é o que aparece também naquela reportagem do NYT (Crisis at Colombia Border Spills Into Diplomatic Realm), citada neste blog, como contato do governo americano com Raul Reyes e as Farc na administração Clinton. Relembro: For instance, in 1998 a Clinton administration official, Philip T. Chicola, then the State Department’s director of Andean affairs, had a clandestine meeting with Mr. Reyes in Costa Rica in an effort to establish a way of communicating with the FARC during times of crisis. The meeting was described in a diplomatic cable written by Mr. Chicola in January 1999 and declassified in 2004. O que faz hoje o sr. Chicola? É vice-embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Dêem uma olhada no currículo dele. Alguns trechos: Entre 1984 e 1986, foi vice conselheiro político na Embaixada dos EUA na Guatemala. De 1988 a 1993 serviu como conselheiro político e Embaixador Adjunto na Embaixada dos EUA em San Salvador. Durante seu tempo ali, o ministro Chicola teve atuação marcante nos esforços dos Estados Unidos em apoiar a inscipiente democracia Salvadorenha e em facilitar um fim negociado para a guerra civil naquele país. (...) Depois de um ano no War College (Escola de Guerra), o ministro Chicola serviu como conselheiro político e econômico na Embaixada dos EUA em Santiago, Chile, durante a conclusão da transição do regime de ditadura militar para um governo civil eleito. Em 1996 retornou a Washington como diretor interino do Escritório de Planejamento e Coordenação do Escritório de Assuntos das Américas. Um ano mais tarde, sua experiência em lidar com conflitos civis o levou a ser nomeado Conselheiro Sênior para o Administrador Temporário da Slavônia, Croácia. A partir de julho de 1998, serviu como Diretor do Escritório de Assuntos Andinos na Divisão de Assuntos do Hemisfério Ocidental. Nessa posição lidou com alguns dos desafios mais significativos na área, inclusive: o desenvolvimento da Suplementação do Plano Colômbia de $1,3 bilhões de dólares, a iniciativa Andina de $900 milhões de dólares, e subseqüente financiamento para a região de cerca de $800 milhões de dólares por ano. Outros desafios que confrontaram seu escritório incluem: o fim da era Fujimori e a transição do Peru para a democracia; administração dos desafios que o novo Presidente Hugo Chavez da Venezuala representa s nossas políticas regionais: coordenar esforços bem sucedidos de restaurar a democracia no Equador depois do golpe de janeiro de 2000; e garatir que a democracia boliviana sobreviveria renúncia do presidente Gonzalez de Lozada no outono de 2003. Com esse background, o sr. Chicola certamente não está entre nós só por causa do etanol. Se eu tivesse que chutar, eu diria que ele é bem mais do que um simples vice-embaixador americano no Brasil. Por que manter no Brasil, um país 100% em paz, alguém cuja carreira está toda voltada para ações em cenários de conflito e guerra civil? Mas isso não é uma crítica nem uma restrição. O sr. Chicola é muito bem-vindo. E é bom que a representação americana em Brasília possua alguém que conhece a fundo e que tenha participado da pacificação salvadorenha, que integrou plenamente a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) ao processo político regular. Seria o melhor modelo para as Farc (e a ELN) na Colômbia (clique aqui para ler). Quem sabe o sr. Chicola, já que está mesmo por aqui, não ajuda nisso?

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Amantes do Informatica
Categoria: Novidades Tecnológicas
27/02/2008

de massas populares urbanas em busca de inclusão econômica e política Por Alon Feuerwerker alon.feuerwerker@correioweb.com.br A Anistia do início dos anos 80 do século passado abriu as portas para a reconciliação do Brasil, pois permitiu criar um ambiente político pacificado. Especialmente depois que a medida alcançou os membros das organizações que haviam adotado a luta armada contra o regime militar. Anistiados, eles integraram-se vida institucional normal, trocando os fuzis e metralhadoras pelos microfones e pelo voto na urna. O Brasil é mesmo um país de sorte. Entre nós, o recurso violência para resolver disputas políticas é coisa do passado. Por justiça, parcela importante do mérito deve ser creditada na conta do último general-presidente, João Baptista de Oliveira Figueiredo, o que pediu que o esquecêssemos. Se Ernesto Geisel ficou na História do Brasil também por esmagar a linha-dura militar com mão de ferro, o sucessor dele, voluntária ou involuntariamente, acabou matando a linha-dura de inanição, de asfixia. A abertura democrática no Brasil não foi um mar de rosas. Que o digam as explosões das bombas no Riocentro e na OAB. É verdade que Figueiredo não quis ou não pôde ir até o fim na caça aos terroristas de direita enquistados nas Forças Armadas, mas é fato também que em nenhum momento notou-se no presidente qualquer movimento para interromper a transição, apesar de todas as pressões de segmentos da caserna. Hoje, felizmente, políticos brasileiros de direita e de esquerda não apenas convivem de modo civilizado, mas encontram ambiente até para tecer alianças nas disputas do Executivo e do Legislativo. Esse é um patrimônio político inestimável. Ou melhor, cujo valor pode ser estimado quando nos comparamos situação de nosso principal vizinho a noroeste, a Colômbia. Em meados dos anos 80, na mesma época das mudanças democráticas no Brasil, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) criaram um braço político-eleitoral, a União Patriótica (UP). Só no período entre 1985 e 1988, cerca de 500 candidatos e políticos da UP foram assassinados. Segundo um relatório divulgado na época pela Anistia Internacional (AI), a responsabilidade pelas mortes recaía especialmente sobre o governo do então presidente Virgilio Barco (liberal) e sobre as Forças Armadas colombianas. Ao relatar a respeito da situação da UP, a AI denunciava a existência de uma “política deliberada de assassinatos políticos”. Mas seria injusto limitar-se a dizer que a violência frustrou, em meados dos anos 80, a tentativa de integração da guerrilha vida institucional na Colômbia. O problema vem de antes. De muito antes. As diferenças políticas na Colômbia são resolvidas bala desde a independência. Ainda que um episódio em particular tenha marcado a história recente do vizinho, deixando cicatrizes aparentemente irremovíveis. O episódio é conhecido como La Violencia, período de nome auto-explicativo desencadeado em 1948 pelo assassinato do liberal Jorge Eliécer Gaitán, que se tivesse chegado ao poder teria sido uma espécie de Perón, ou um Getúlio Vargas colombiano. Eis um detalhe importante: a moderna guerra civil na Colômbia não começou por obra de grupos comunistas, mas devido a disputas no seio dos partidos dominantes, o Liberal e o Conservador, em meio pressão de massas populares urbanas em busca de inclusão econômica e política. Este espaço é curto para especular por que a Colômbia não consegue alcançar a paz. O mais provável é que a conta do impasse interminável deva ser lançada na rubrica da economia real gerada pelo narcotráfico. Agora mesmo, com a defensiva estratégica imposta pelo governo de Álvaro Uribe s Farc, o espaço deixado vem sendo preenchido pela reaglutinação dos esquadrões paramilitares de extrema-direita, que junto com os militares preenchem o vácuo da guerrilha no fornecimento de segurança e proteção para o crime. E não há solução fácil vista. Apenas um processo firme de reconciliação nacional poderia gerar a massa crítica politicamente necessária para fechar a chaga da violência e enfrentar o narcotráfico. Mas há interesses poderosíssimos contra essa saída. Ainda mais depois que o governo da Colômbia passou a ser peça fundamental na estratégia norte-americana de se precaver contra a perda do controle sobre o petróleo venezuelano. Atualizado, s 12:25 - Um amigo envia-me texto do Le Monde Diplomatique de maio de 2005 sobre o extermínio dos políticos da União Patriótica. Clique no link para ler A história de um massacre. Vale a pena.

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Alemanha tem novo Info
Categoria: Século 21
27/02/2008

O que decidiu hoje a OEA (Organização dos Estados Americanos) sobre a violação das fronteiras do Equador por tropas colombianas? Recapitulando, as forças do presidente Álvaro Uribe cruzaram a fronteira para massacrar um contingente das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O grupo estava acampado do lado equatoriano. Trechos comentados da resolução (está em castelhano e pode haver problemas com os caracteres, foi um copy/paste da Associated Press): (...) en la madrugada del sabado 1 de marzo de 2008 fuerzas militares y efectivos de la policia de Colombia incursionaron en territorio del Ecuador, en la provincia de Sucumbios, sin consentimiento expreso del gobierno del Ecuador, para realizar un operativo en contra de miembros de un grupo irregular de las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia, que se encontraba clandestinamente acampando en el sector fronterizo ecuatoriano. A OEA concluiu que o Equador não sabia que as Farc estavam ali. E não trata as Farc como "terroristas", mas como um grupo irregular (ou um grupo irregular das Farc, sei lá; de todo modo, "terrorismo" é uma expressão ausente no texto). Segue. (...) el hecho ocurrido constituye una violacion de la soberania y de la integridad territorial del Ecuador y de los principios del derecho internacional. O Equador pode não ter ficado feliz com a redação, mas a condenação Colômbia está implícita, ainda que em linguagem diplomática. E o texto conclui: Resuelve (...) reafirmar el principio de que el territorio de un estado es inviolable y no puede ser objeto de ocupacion militar ni de otras medidas de fuerza tomadas por otro estado, directa o indirectamente, cualquier fuera el motivo, aun de manera temporal. Clique aqui para ler a resolução inteira, inclusive os procedimentos práticos adotados. Bem, a OEA disse o que tinha que dizer. Ou então era melhor fechar a OEA e economizar o dinheiro que se gasta com ela. A questão é simples. Ou a inviolabilidade das fronteiras é um valor absoluto ou não existe. Se há circunstâncias em que um país pode invadir outro em tempos de paz, mesmo que temporariamente, o conceito de soberania deixa de vigorar. Eu admito que o sujeito possa achar o Direito Internacional uma bobagem, um estorvo diante da premência de se combater o terrorismo e a suposta ameaça comunista. É uma posição política. É, aliás, a posição política de quem defende a ação de Uribe contra as Farc no Equador. Mas, como tudo na vida, ela tem conseqüências. Respondam seguinte pergunta. Quem deve ter o poder de decidir se determinada circunstância é suficiente para justificar, em tempos de paz, a violação da soberania de um país por outro? Na minha opinião, ninguém. Na opinião de muita gente, a Organização das Nações Unidas (ONU). Na opinião dos defensores da ação de Uribe, os Estados Unidos. Ou, para não consumir o tempo do presidente dos Estados Unidos com coisas menores (situações que não envolvam diretamente a segurança dos Estados Unidos), os aliados regionais dos Estados Unidos. Então ficamos assim. Como o presidente da Colômbia é aliado de George W. Bush, ele tem o direito de invadir território dos vizinhos para caçar membros das Farc. Com o único compromisso de dar depois um telefonema ao presidente do país invadido para explicar por que fez o que fez, ou inventando uma história qualquer. É essa a regra? A ausência de regras? Então que se jogue o jogo. Só que não vale depois dar uma de menino criado pela avó e levar a bola para casa amuado quando tomar um gol.

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Renovação
Categoria: Novidades Tecnológicas
27/02/2008

O bom de já ter vivido um certo tanto é poder usar o que foi possível aprender com a observação da água que se viu passar por debaixo da ponte. A ação dos militares colombianos em território equatoriano para pôr fim vida de Raul Reyes e outros guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) reavivou na minha memória a Chacina da Lapa. Em dezembro de 1976, forças do então 2° Exército (hoje Comando Militar do Sudeste) invadiram um sobrado no bairro paulistano com esse nome e executaram dois membros da direção nacional do PCdoB, Pedro Pomar e Ângelo Arroyo. Na operação, foram presos os demais dirigentes que haviam participado de um encontro do comitê central do partido, realizado no local. Um deles, João Baptista Drummond, morreu na cadeia, vítima de tortura. O PCdoB vinha de ser derrotado na Guerrilha do Araguaia, sendo que a reunião destinava-se exatamente a uma avaliação política dos resultados da luta armada desencadeada pelo partido no sul do Pará. Hoje, o PCdoB tem deputados, um senador e até um ministro. Digamos que se tornou um partido normal, ainda que pequeno, e integra o jogo político. Como é natural em organizações do tipo, cultua a memória de seus dirigentes e militantes que morreram na luta contra a ditadura. Já os que participaram da ação pelo lado das Forças Armadas ficaram na poeira da História, para ser gentil. O mesmo culto se dá em outros casos, como o do capitão Carlos Lamarca (leia Uma missão bizarra na França) e do líder comunista Carlos Marighella. A guerrilha (urbana ou rural) no Brasil foi dizimada, mas, quatro décadas depois, a chefe da Casa Civil é uma ex-guerrilheira e o ministro da Comunicação Social é um sujeito que participou do seqüestro de um embaixador dos Estados Unidos. Resta direita o esforço tão inglório quanto inútil de tentar achincalhar os adversários (dela) mortos. Entre os vizinhos é a mesma coisa. No Uruguai, por exemplo, ex-tupamaros são a força majoritária da coalizão de governo do presidente Tabaré Vazquez. Na Argentina, a corrente política dominante, os Kirchner, deita raízes históricas no peronismo radical. No Chile, com todos os erros políticos que possa ter cometido, a figura de Salvador Allende cresce a cada dia na memória histórica do país. Já Augusto Pinochet, justa ou injustamente, caminha a passos firmes, como diria Leon Trotsky, para a lixeira da História. É isso aí. São fatos. Alguns creditam essa hegemonia digamos semiótica da esquerda sobre a direita a uma suposta conspiração cultural, tomada das estruturas culturais da sociedade pelo marxismo e seus congêneres. Colocam a culpa em Antonio Gramsci (leia Esconde-esconde). Eu, que desde novo aprendi a desconfiar de teorias conspiratórias, tenho outra opinião. Ela está expressa num post bem-humorado, Os resmungadores da República. Está também no que escrevi por ocasião das críticas ferozes feitas contra Che Guevara no mais recente aniversário de sua morte. Leia A pergunta do capitão Nascimento, o prestígio de Che Guevara e a violência para o bem. Leia também O ódio lembrança dos mortos reflete o medo na alma dos vivos e O El Pais talvez ache que Petáin foi um herói. Está tudo ali. A esquerda da periferia do capitalismo leva vantagem no torneio das simpatias porque está associada historicamente luta contra a injustiça e a favor da nação. Daí por que a direita não consegue forjar heróis. Resta-lhe resmungar contra os alheios. Um trecho de Os resmungadores da República: A direita vive a falar mal dos nossos heróis porque não tem como falar bem dos heróis dela própria. O financista que, graças aos juros escorchantes, remove da formação social as manchas de atraso representadas pela pequena propriedade ineficaz. O grande sonegador de impostos que drena as arcas do Tesouro e, com isso, evita a concentração de recursos da sociedade nas mãos de um estado ineficiente -para que, com mais dinheiro no bolso, a sociedade possa criar ela própria a riqueza que vai proporcionar um mundo melhor para todos. O ricaço dono de imóveis que despeja o modesto inquilino por falta de pagamento e, assim, ajuda a consolidar a regra de que contratos são feitos para serem cumpridos, de que a segurança jurídica é um valor universal. O executivo de sucesso que promove um downsizing capaz de levar a empresa a patamares inimagináveis de produtividade. Quem se candidata a fazer um filme com tais personagens como heróis? Ninguém. Esse pessoal só é herói em revistas de negócios. Em nenhum outro lugar. Bem, depois da diversão vamos em frente. Qualquer pessoa razoável tem que ser contra o terrorismo. E a eliminação do terror como forma de luta política costuma ser um processo também político, de reabsorção dos grupos rebelados na estrutura política regular. Os exemplos estão em todos os cantos. Os mais recentes são a Palestina e o Iraque. Na primeira, a Fatah, que a seu tempo integrou com destaque a lista de inimigos terroristas dos Estados Unidos e de Israel, hoje é o peão de ambos na operação para isolar o Hamas. No Iraque, então, a coisa é mais gritante ainda. Os movimentos recentes dos Estados Unidos são de apoximação com os grupos sunitas, comunidade de origem dos principais núcleos insurgentes. É a nova carta de Washington para tentar estabilizar o país. O problema na atitude dos que chamei aqui no blog de "papagaios nativos" (Nós e a transição cubana) não é estar contra ou a favor do terrorismo. É estar sempre espera de um sinal da Casa Branca ou do Pentágono para saber qual é a opinião que devem emitir numa certa hora sobre certo assunto. Eram a favor da guerrilha islâmica no Afeganistão quando se tratava de expulsar os soviéticos de Cabul. Mas ficaram contra Osama Bin Laden depois do 11 de setembro. Se o alvo não tivessem sido as torres gêmeas em Nova York em 2001, mas o Kremlin em Moscou uns vinte anos antes, teriam possivelmente vibrado de prazer e júbilo com a ação da Al Qaeda. Leiam A teoria unificadora. Vou fechando por aqui. Assim como a Chacina da Lapa de 1976, o ataque de Álvaro Uribe s Farc não é uma tentativa de desbaratar um grupo guerrilheiro ou "terrorista". É uma ofensiva para tentar liquidar militarmente um grupo que poderá ter algum papel político numa Colômbia pacificada -e que visivelmente sinaliza esse desejo. É uma clara manobra para dificultar a conversão política de um grupo armado que poderia, sem problemas, seguir o exemplo, entre outros, da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), de El Salvador. Estrategicamente, Uribe fracassará. Assim como fracassou seu colega peruano Augusto Fujimori, que no poder saboreou a vitória final contra a guerrilha lunática do Sendero Luminoso e hoje amarga o banco dos réus, pois preferiu a cadeia ao exílio. De herói a bandido em poucos anos. E o que sobrou para a direita peruana? Agarrar-se a Alan García (que antes acusava de "populismo") para tentar conter a ascensão política do etnocacerista Ollanta Humala. A História, como o tempo (Einstein explicou), pode ir mais rápido ou mais devagar. Mas nunca caminha para trás. Ainda que de vez em quando dê essa impressão. Atualização, s 12:05 - Vejam este interessante trecho de reportagem de hoje do The New York Times: Because of the FARC’s resilient history at the heart of Colombia’s war, it has had contact with insurgencies and governments throughout Latin America and beyond, including the United States, which classifies the FARC and other armed groups in Colombia as terrorists. For instance, in 1998 a Clinton administration official, Philip T. Chicola, then the State Department’s director of Andean affairs, had a clandestine meeting with Mr. Reyes in Costa Rica in an effort to establish a way of communicating with the FARC during times of crisis. The meeting was described in a diplomatic cable written by Mr. Chicola in January 1999 and declassified in 2004. Also present at the meeting was Mr. Reyes’s wife, Olga Marín, a woman believed to be the daughter of the FARC’s top commander, Manuel Marulanda, and also reported to be present, and possibly wounded, in the raid on the jungle camp on Saturday.

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MIto do Info
Categoria: Novidades Tecnológicas
27/02/2008

para Washington manter a pressão militar sobre a Venezuela, sem cujo petróleo os americanos enfrentariam problemas gravíssimos Por Alon Feuerwerker alon.feuerwerker@correioweb.com.br A escalada de tensões entre a Colômbia e seus vizinhos, após a violação das fronteiras equatorianas por militares colombianos em ação contra as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), cria um cenário em que fica exposto, com tintas berrantes, o produto da incúria dos recentes governos brasileiros em relação defesa nacional. Anos de desleixo e de problemas empurrados com a barriga deram nisto: o Brasil está desequipado material e doutrinariamente para cumprir suas naturais atribuições de potência regional. O caso da renovação da frota de caças da Força Aérea Brasileira (FAB) é emblemático. O assunto era para ter sido decidido ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, mas a concorrência acabou ficando para a administração de Luiz Inácio Lula da Silva. Passados cinco anos de gestão petista, nada foi resolvido. A frota de caças continua em estado de sucata, sem luz no fim do túnel. E não estamos falando de nada estrondoso. Seriam duas dúzias de aviões novos, um investimento de menos de US$ 1 bilhão. Preferiu-se, porém, a gambiarra: comprar aviões franceses usados, uma solução de emergência para “acalmar” a FAB. Como se a questão se resumisse ao que fazer para evitar maus humores na caserna. Agora, com a porteira arrombada, corre-se atrás do prejuízo. Recentemente, o ministro da Defesa executou um périplo europeu para alavancar parcerias que desatolem a indústria bélica nacional e acelerem o reequipamento da Forças Armadas. Aguardam-se os resultados práticos do giro ministerial. Não custa ser otimista. Quem sabe o novo ministro da Defesa não convence o presidente da República a investir na FAB pelo menos o mesmo tanto que a turma do governo gasta em passagens e diárias? O fato é que o Brasil defronta-se nos últimos tempos com uma realidade para a qual não está preparado. Na nossa fronteira norte, duas nações armam-se em defesa de seus próprios interesses estratégicos. A Colômbia transforma-se progressivamente num braço militar dos Estados Unidos na transição entre as Américas Central e do Sul. A guerra implacável do presidente Álvaro Uribe contra o inimigo interno serve também para Washington manter a pressão militar sobre a Venezuela de Hugo Chávez, sem cujo petróleo os americanos enfrentariam problemas econômicos gravíssimos. Já Chávez, sabedor de que a guerra civil colombiana tem potencial para gerar fatos e pretextos que podem desencadear uma agressão americano-colombiana a seu país, vem se empenhando por uma solução política pacífica no vizinho. Solução que naturalmente desagrada a Uribe, cujo poder interno repousa cada vez mais no tripé formado pelos militares, pelos paramilitares de direita e pelos próprios Estados Unidos. Sem esquecer que uma vitória decisiva contra as Farc daria o impulso necessário para o presidente reformar a Constituição e poder pleitear um terceiro mandato consecutivo, como é desejo dele. Diante dessa ameaça, Chávez acelerou nos últimos anos a substituição de equipamento bélico americano por similares russos, o que agudizou ainda mais o desconforto de Washington. Ainda que tenham sido os próprios americanos a fornecer a justificativa de que o venezuelano necessitava, quando passaram a recusar reposição de peças e assistência técnica ao material estadunidense tradicionalmente empregado pelas Forças Armadas da Venezuela. E o problema não está circunscrito ao cone norte do continente. Ao pé dos Andes, bem na fronteira com o Brasil, grupos secessionistas com apoio nem tão velado assim dos Estados Unidos impulsionam movimentos separatistas em território da Bolívia, na tentativa de abocanhar as regiões mais ricas do país e isolar (se necessário derrubar) o presidente Evo Morales. A tudo isso o Brasil assiste de dedos cruzados e coração sobressaltado, emitindo de tempos em tempos declarações genéricas e apelos piedosos pelo entendimento entre as partes. É muito pouco para quem pleiteia insistentemente uma cadeira fixa no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Atualização, s 14:43 - A indigência da (não) presença brasileira na região está bem descrita em reportagem publicada hoje na Folha Online (Exército acompanha desdobramentos do conflito entre Colômbia, Venezuela e Equador). Clique aqui para votar no Blog do Alon no Prêmio IBEST. Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

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By Leandro Senni