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Artigo Selecionado
Revolução
Categoria: Século 21 27/02/2008
A reunião do Grupo do Rio, na República Dominicana, deu resultados positivos e pode ajudar a evitar a ampliação da crise desencadeada pela violação, na semana passada, das fronteiras equatorianas por tropas colombianas na operação que resultou no massacre de um grupo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O melhor relato que vi sobre o assunto é, naturalmente, de alguém que esteve lá. De Samy Adghirni, na Folha de S.Paulo de hoje:
Após nove horas de um debate cheio de impropérios no auditório da Chancelaria dominicana, prédio colonial de frente para o mar do Caribe, o presidente e anfitrião Leonel Fernández pediu aos participantes que deixassem de lado suas divergências e apertassem as mãos em nome da paz. Após alguns segundos de hesitação, [o colombiano Álvaro] Uribe -que havia passado o dia justificando o ataque contra o acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em território equatoriano, há uma semana, que desencadeou a crise- levantou-se e caminhou em direção a [Rafael] Correa [, do Equador]. Sob aplausos, eles apertaram as mãos. Em seguida, Uribe atravessou novamente o auditório para fazer o mesmo com o presidente venezuelano, Hugo Chávez -que no domingo passado anunciara o envio de tropas fronteira com a Colômbia, em represália ao ataque no Equador. Os aplausos continuaram. Ao sair da reunião, os participantes estavam eufóricos com o fim da crise, oficializado na declaração final do encontro, que formalizou o pedido de desculpas da Colômbia ao Equador e selou o compromisso por parte de Bogotá de que o fato não voltará a acontecer. (...) Depois do embate, os outros participantes se revezaram no microfone com discursos apaziguadores, mas claramente favoráveis ao Equador e a Correa, que foi aplaudido, enquanto as palavras de Uribe foram recebidas com silêncio. O mexicano Felipe Calderón evocou o princípio da inviolabilidade territorial; a presidente argentina, Cristina Kirchner, disse que "a ilegalidade se combate com mais legalidade". O nicaragüense Daniel Ortega acusou Uribe de praticar terrorismo de Estado. Mas, no fim da cúpula, Ortega, que anteontem anunciou o rompimento de relações com a Colômbia, disse que irá retomá-las. O Equador ainda não anunciou formalmente o reatamento -Quito rompeu relações com Bogotá na última segunda.
No jornalismo, assim como no futebol, o importante está nos detalhes. Se há um presidente latino-americano mais alinhado com os Estados Unidos do que Uribe, é o mexicano Calderón. Que, informa a reportagem, condenou Uribe. O que mostra o grau de isolamento do colombiano, de resto bem descrito (clique aqui para ler). Foi o que escrevi aqui, a quente, no primeiro post sobre o tema, É preciso isolar Uribe:
O fato é que o governo Uribe tornou-se uma ameaça estabilidade do continente. Sua estratégia de "solução militar" para a questão da guerrilha terá como resultado prático a internacionalização do conflito. Talvez Uribe não esteja mesmo em condições de recuar, dado que o futuro de seu poder (como comentei em janeiro) repousa no prosseguimento da guerra civil. Um efeito colateral da estratégia uribista é a reorganização dos esquadrões paramilitares de extrema-direita. Num ambiente de paz, o caminho estaria aberto para a esquerda nacional colombiana chegar ao governo, como já aconteceu no resto do continente, com exceção do Peru. Sem guerra civil, não haverá condições políticas de Uribe pleitear um terceiro mandato -para o que precisa reformar a Constituição. A América do Sul deve, urgentemente, estabelecer um cordão sanitário em torno da Colômbia. Unir-se diante da ameaça de que a ambição política de Álvaro Uribe arraste o continente guerra.
O que decidiu o Grupo do Rio? Que, antes de tudo e acima de todas as circunstâncias, as fronteiras nacionais são invioláveis em tempo de paz. Era o que já havia dito a Organização dos Estados Americanos (OEA). O resto é o resto.
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