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Artigo Selecionado
Testemunha
Categoria: Novidades Tecnológicas 27/02/2008
Bogotá (Reuters) - Um diplomata dos EUA disse hoje que grupos paramilitares não podem ser ignorados nos esforços para alcançar um acordo negociado entre o governo colombiano e as guerrilhas. Philip Chicola, chefe de assuntos andinos do Departamento de Estado dos EUA, disse que os temidos esquadrões da morte deveriam ter reconhecimento polÃtico, ou ainda participar de negociações entre o governo da Colômbia e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias)."Em algum ponto, os paramilitares terão que participar do processo", disse Chicola em uma entrevista para a Radionet, durante sua visita de dois dias à Colômbia. "O governo e a sociedade colombiana vão ter que decidir como eles vão lidar com os paramilitares", acrescentou.
Clique para ler a reportagem completa. Pela data (outubro de 2000), você já percebeu que a notÃcia é do final do governo de Bill Clinton. Quando a polÃtica americana para a Colômbia orientava-se pela busca de uma saÃda negociada que pusesse fim à guerra civil. Ou seja, antes do 11 de setembro e do acirramento das tensões entre a Casa Branca e Hugo Chávez, a diplomacia dos Estados Unidos considerava uma alternativa plausÃvel a negociação com grupos que constavam do index terrorista, se o objetivo fosse a paz. Talvez isso ajude a compreender melhor por que os papagaios nativos (Nós e a transição cubana) nunca exigiram dos governos brasileiros anteriores a Luiz Inácio Lula da Silva que declarassem as Farc como "terroristas". Desde o fim do regime militar, passaram pelo Palácio do Planalto José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Nenhum deles adotou posição radical contra as Farc. Já registrei aqui no blog, em De volta ao americanismo, um trecho de reportagem da revista Veja em março de 2003 a respeito do assunto:
O governo de Fernando Henrique Cardoso também manteve distância do conflito colombiano. Vez por outra, deixava vazar crÃticas ao Plano Colômbia, como é chamada a estratégia de combate ao narcotráfico financiada pelos Estados Unidos.
Os mesmos que hoje incham a jugular para advertir sobre o apocalipse que resultaria da leniência com o "terror comunista" agiram, quando no governo, de maneira cuidadosa em relação à guerra civil do vizinho. O que teria mudado no cenário para justificar essa guinada? O caráter e os objetivos das Farc não mudaram. Se são "terroristas" hoje, já eram antes. Ora, o que mudou desde 2000 foram a linha polÃtica dominante no governo colombiano e a estratégia dos Estados Unidos. Mas a polÃtica externa brasileira e a nossa posição diante de conflitos em outros paÃses não pode flutuar ao sabor dos humores em Washington ou nos aliados dos americanos. Por mais que alguns se incomodem com isto, nós somos um paÃs soberano (leia À espera de uma orientação da Casa Branca). E um detalhe chamou minha atenção. O Philip Chicola ctado na reportagem da Folha Online de outubro de 2000 é o que aparece também naquela reportagem do NYT (Crisis at Colombia Border Spills Into Diplomatic Realm), citada neste blog, como contato do governo americano com Raul Reyes e as Farc na administração Clinton. Relembro:
For instance, in 1998 a Clinton administration official, Philip T. Chicola, then the State Department’s director of Andean affairs, had a clandestine meeting with Mr. Reyes in Costa Rica in an effort to establish a way of communicating with the FARC during times of crisis. The meeting was described in a diplomatic cable written by Mr. Chicola in January 1999 and declassified in 2004.
O que faz hoje o sr. Chicola? É vice-embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Dêem uma olhada no currÃculo dele. Alguns trechos:
Entre 1984 e 1986, foi vice conselheiro polÃtico na Embaixada dos EUA na Guatemala. De 1988 a 1993 serviu como conselheiro polÃtico e Embaixador Adjunto na Embaixada dos EUA em San Salvador. Durante seu tempo ali, o ministro Chicola teve atuação marcante nos esforços dos Estados Unidos em apoiar a inscipiente democracia Salvadorenha e em facilitar um fim negociado para a guerra civil naquele paÃs. (...) Depois de um ano no War College (Escola de Guerra), o ministro Chicola serviu como conselheiro polÃtico e econômico na Embaixada dos EUA em Santiago, Chile, durante a conclusão da transição do regime de ditadura militar para um governo civil eleito. Em 1996 retornou a Washington como diretor interino do Escritório de Planejamento e Coordenação do Escritório de Assuntos das Américas. Um ano mais tarde, sua experiência em lidar com conflitos civis o levou a ser nomeado Conselheiro Sênior para o Administrador Temporário da Slavônia, Croácia. A partir de julho de 1998, serviu como Diretor do Escritório de Assuntos Andinos na Divisão de Assuntos do Hemisfério Ocidental. Nessa posição lidou com alguns dos desafios mais significativos na área, inclusive: o desenvolvimento da Suplementação do Plano Colômbia de $1,3 bilhões de dólares, a iniciativa Andina de $900 milhões de dólares, e subseqüente financiamento para a região de cerca de $800 milhões de dólares por ano. Outros desafios que confrontaram seu escritório incluem: o fim da era Fujimori e a transição do Peru para a democracia; administração dos desafios que o novo Presidente Hugo Chavez da Venezuala representa à s nossas polÃticas regionais: coordenar esforços bem sucedidos de restaurar a democracia no Equador depois do golpe de janeiro de 2000; e garatir que a democracia boliviana sobreviveria à renúncia do presidente Gonzalez de Lozada no outono de 2003.
Com esse background, o sr. Chicola certamente não está entre nós só por causa do etanol. Se eu tivesse que chutar, eu diria que ele é bem mais do que um simples vice-embaixador americano no Brasil. Por que manter no Brasil, um paÃs 100% em paz, alguém cuja carreira está toda voltada para ações em cenários de conflito e guerra civil? Mas isso não é uma crÃtica nem uma restrição. O sr. Chicola é muito bem-vindo. E é bom que a representação americana em BrasÃlia possua alguém que conhece a fundo e que tenha participado da pacificação salvadorenha, que integrou plenamente a Frente Farabundo Martà de Libertação Nacional (FMLN) ao processo polÃtico regular. Seria o melhor modelo para as Farc (e a ELN) na Colômbia (clique aqui para ler). Quem sabe o sr. Chicola, já que está mesmo por aqui, não ajuda nisso?
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