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Categoria: Novidades Tecnológicas
27/02/2008

de massas populares urbanas em busca de inclusão econômica e política Por Alon Feuerwerker alon.feuerwerker@correioweb.com.br A Anistia do início dos anos 80 do século passado abriu as portas para a reconciliação do Brasil, pois permitiu criar um ambiente político pacificado. Especialmente depois que a medida alcançou os membros das organizações que haviam adotado a luta armada contra o regime militar. Anistiados, eles integraram-se vida institucional normal, trocando os fuzis e metralhadoras pelos microfones e pelo voto na urna. O Brasil é mesmo um país de sorte. Entre nós, o recurso violência para resolver disputas políticas é coisa do passado. Por justiça, parcela importante do mérito deve ser creditada na conta do último general-presidente, João Baptista de Oliveira Figueiredo, o que pediu que o esquecêssemos. Se Ernesto Geisel ficou na História do Brasil também por esmagar a linha-dura militar com mão de ferro, o sucessor dele, voluntária ou involuntariamente, acabou matando a linha-dura de inanição, de asfixia. A abertura democrática no Brasil não foi um mar de rosas. Que o digam as explosões das bombas no Riocentro e na OAB. É verdade que Figueiredo não quis ou não pôde ir até o fim na caça aos terroristas de direita enquistados nas Forças Armadas, mas é fato também que em nenhum momento notou-se no presidente qualquer movimento para interromper a transição, apesar de todas as pressões de segmentos da caserna. Hoje, felizmente, políticos brasileiros de direita e de esquerda não apenas convivem de modo civilizado, mas encontram ambiente até para tecer alianças nas disputas do Executivo e do Legislativo. Esse é um patrimônio político inestimável. Ou melhor, cujo valor pode ser estimado quando nos comparamos situação de nosso principal vizinho a noroeste, a Colômbia. Em meados dos anos 80, na mesma época das mudanças democráticas no Brasil, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) criaram um braço político-eleitoral, a União Patriótica (UP). Só no período entre 1985 e 1988, cerca de 500 candidatos e políticos da UP foram assassinados. Segundo um relatório divulgado na época pela Anistia Internacional (AI), a responsabilidade pelas mortes recaía especialmente sobre o governo do então presidente Virgilio Barco (liberal) e sobre as Forças Armadas colombianas. Ao relatar a respeito da situação da UP, a AI denunciava a existência de uma “política deliberada de assassinatos políticos”. Mas seria injusto limitar-se a dizer que a violência frustrou, em meados dos anos 80, a tentativa de integração da guerrilha vida institucional na Colômbia. O problema vem de antes. De muito antes. As diferenças políticas na Colômbia são resolvidas bala desde a independência. Ainda que um episódio em particular tenha marcado a história recente do vizinho, deixando cicatrizes aparentemente irremovíveis. O episódio é conhecido como La Violencia, período de nome auto-explicativo desencadeado em 1948 pelo assassinato do liberal Jorge Eliécer Gaitán, que se tivesse chegado ao poder teria sido uma espécie de Perón, ou um Getúlio Vargas colombiano. Eis um detalhe importante: a moderna guerra civil na Colômbia não começou por obra de grupos comunistas, mas devido a disputas no seio dos partidos dominantes, o Liberal e o Conservador, em meio pressão de massas populares urbanas em busca de inclusão econômica e política. Este espaço é curto para especular por que a Colômbia não consegue alcançar a paz. O mais provável é que a conta do impasse interminável deva ser lançada na rubrica da economia real gerada pelo narcotráfico. Agora mesmo, com a defensiva estratégica imposta pelo governo de Álvaro Uribe s Farc, o espaço deixado vem sendo preenchido pela reaglutinação dos esquadrões paramilitares de extrema-direita, que junto com os militares preenchem o vácuo da guerrilha no fornecimento de segurança e proteção para o crime. E não há solução fácil vista. Apenas um processo firme de reconciliação nacional poderia gerar a massa crítica politicamente necessária para fechar a chaga da violência e enfrentar o narcotráfico. Mas há interesses poderosíssimos contra essa saída. Ainda mais depois que o governo da Colômbia passou a ser peça fundamental na estratégia norte-americana de se precaver contra a perda do controle sobre o petróleo venezuelano. Atualizado, s 12:25 - Um amigo envia-me texto do Le Monde Diplomatique de maio de 2005 sobre o extermínio dos políticos da União Patriótica. Clique no link para ler A história de um massacre. Vale a pena.



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By Leandro Senni